A próxima ação do Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha será com nossas irmãs da Comeia, ainda neste mês de setembro. Mais uma vez levaremos o festival para o Presídio Feminino do Distrito Federal. Desde o ano passado esta atividade nos enche de certeza de que temos que estar em diversos espaços, que o Latinidades tem que ir onde a mulher negra está. A maior parte das mulheres em situação prisional hoje no Distrito Federal são jovens e negras. A partir da nossa missão de discutir e propor ações para o combate ao racismo e ao sexismo por meio da reunião da sociedade civil, instituições públicas e privadas e movimentos sociais, em julho nos reunimos em torno do tema inclusão produtiva nos presídios femininos. Este debate se destacou no dia 25 de julho, Dia da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha, no Auditório do Museu da República, com a participação de autoridades, sociedade civil, diretores e diretoras dos presídios femininos da Região Centro-Oeste e diversos profissionais da área, além de algumas ex-detentas.

PANORAMA GERAL

De acordo com dados colhidos junto à direção e em visitas ao Presídio Feminino do DF, constatamos uma triste e preocupante superlotação dos espaços. Hoje são cerca de 700 mulheres reclusas. Algumas cumprem regime semiaberto e saem para trabalhar durante o dia. É uma unidade mista onde vivem 81 homens, que ficam na chamada Ala Psiquiátrica, separada das mulheres apenas por um corredor, sendo que os banhos de sol são separados por um muro somente. Estes homens possuem diversos tipos de transtornos mentais.

A ala da maternidade está com 33 mulheres, sendo 14 com bebês e 19 grávidas. Os bebês permanecem na penitenciária apenas até os 6 meses, período de aleitamento, quando então são entregues ou para as famílias, com guarda provisória, ou encaminhados para abrigos. Além da superlotação e atendimento precário aos problemas de saúde, a falta de dignidade nas condições de vida das nossas irmãs que lá estão é geral, ainda que haja dedicação da diretora, que busca abrir frentes de trabalho e capacitação, além da ampliação dos espaços e melhor atendimento.

HISTÓRICO LATINIDADE

Em 2012 o Latinidades realizou debates, cineclube, apresentação cultural e oficina de saúde integral da mulher no Presídio Feminino de Distrito Federal e acompanhou visitas e reuniões nos Presídios de Luziânia e Aparecida de Goiânia. Este ano o formato será bem próximo, porém buscando estar junto a um número maior de mulheres em todas as alas possíveis.

Além da realização de ações anuais no presídio, o Latinidades, com representação da Irmandade Pretas Candangas faz parte do Comitê Gestor do Programa Educandas para Liberdade, liderado pela Sudeco e que trata da construção de galpões para a capacitação e trabalho remunerado das mulheres.

Se você acha importante e tem uma atividade a apresentar para somar na nossa ação Latinidades Comeia, entre em contato conosco pelo e-mail grioproduces@gmail.com Há muito o que se fazer e temos certeza de que realizar o festival na Comeia não soluciona nem afeta de longe os problemas enfretados pelas mulheres que vivem no sistema prisional do DF, mas pelo efeito e a participação das mulheres durante estas ações, temos certeza de que abrir frentes, estar com nossas companheiras, levar debate, capacitação e vontade de trocar é um caminho. Junt@s e em muitas frentes somos mais!

Câmara aprova Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (1º de abril), em caráter conclusivo, proposta do Senado (PL 5746/09) que institui a data de 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra....