Festival da Mulher Afro Latina Americana e Caribenha

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Sobre o festival

Latinidades é considerado hoje o maior festival de mulheres negras da América Latina

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Latinidades 2017

Horizontes de liberdade: afrofuturismo nas asas da Sankofa

“Precisamos imaginar este tipo de sociedade em que queremos viver. Não precisamos simplesmente presumir que, de alguma forma, magicamente, vamos criar uma nova sociedade na qual haverá um novo tipo de seres humanos. Não, precisamos começar o processo de criar a sociedade em que queremos viver agora”. Angela Davis

Em 2017, o Latinidades completa 10 anos de existência. Durante uma década, promovemos a valorização da produção cultural, política e intelectual de mulheres negras, em enfrentamento ao racismo e o machismo. Comemoramos 10 anos construindo espaços de articulação e diálogo; fortalecendo visões de mundo e projetos inovadores e subversivos; criando e valorizando formatos originais e variados, que celebram a beleza, a riqueza e a diversidade das mulheres negras brasileiras, africanas e vivendo em outras regiões da diáspora africana. Nossos passos, que vêm de longe, nos trouxeram até aqui. Um futuro de muitas lutas e possibilidades nos espera.

Para esta 10ª edição, propomos uma reflexão coletiva: como a arte e os saberes de mulheres negras, assim como nossas lutas históricas e contemporâneas por direitos e por liberdade, incidem no presente? Como podem nos orientar a pensar e a criar o futuro? O conceito de Sankofa, dos povos Akan, nos ensina que tudo aquilo que foi perdido, esquecido, renunciado ou roubado no passado, pode ser reclamado, reavivado, preservado ou recuperado no presente. O que queremos resgatar, e o que deixaremos no passado? Que futuro queremos e como vamos construí-lo?

O céu é o limite para o pássaro da Sankofa. Inspiradas pelo afrofuturismo, partimos de heranças e símbolos africanos e afrodiaspóricos, e ousamos dar asas à imaginação. Honrando aquelas que vieram antes de nós e de braços dados com as que caminham ao nosso lado, tecemos coletivamente sonhos, fantasias e horizontes, inventamos a nossa liberdade e caminhamos, #afrontosas, em sua direção.

 Sankofa 

O significado original da palavra Sankofa é: “não é um tabu segurar/pegar o que está em risco de ser deixado para trás”. Visualmente, o conceito – originário dos povos Akan (Gana, Togo e Costa do Marfim) – é expresso pelo símbolo Adinkra de um pássaro mítico que voa para frente enquanto olha para trás, com um ovo (simbolizando os conhecimentos do passado e também o futuro e as gerações futuras) em seu bico (entre outros).

Histórico

O projeto foi criado em 2008 para marcar o dia 25 de julho, que tem ganhado força como uma espécie de 8 de marco da mulher negra.

Em sua décima edição Latinidades se consolidou como o maior festival de mulheres negras da América Latina. Seu diferencial, além da quantidade de estados e países envolvidos, diz respeito tanto ao seu caráter cultural quanto ao formativo.

O projeto é bastante conhecido por seus debates e publicações, mas também pelos grandes shows. Todos os anos Latinidades envolve música, dança, teatro, literatura, formação, capacitação, empreendedorismo, economia criativa e comunicação e é realizado por meio de diversas atividades pelo Distrito Federal. Nasceu com intuito de celebrar o Dia da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha e abrir espaço para convergir debates e iniciativas do estado e da sociedade civil relacionadas à promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo e sexismo.

Retrospectiva

2008 – Nasce o festival com dois debates e algumas apresentações culturais para marcar o Dia da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha. Programação 2008.

2009 – O festival discute a mulher negra nos meios de comunicação com uma tarde de debates e uma noite de shows. Programação 2009.

2010 – Desta vez o tema foi Censo e Políticas Públicas para Mulheres Negras e as discussões deram origem a uma publicação-referência, em parceria com a Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo Ipea. Os shows aconteceram na Esplanada dos Ministérios. Programação 2010. Programação 2010. 

2011 – Sob o tema Mulheres Negras no Mercado de Trabalho, o projeto puxou dez mesas de debates. As discussões deram origem à segunda publicação do festival, ainda em parceria com o Ipea. Os shows aconteceram no Parque da Cidade. Programação 2011. 

2012 – Juventude Negra foi o tema que deu origem à uma série de atividades no ano de 2012, trazendo palestrantes de grande representatividade. Os shows, debates e a feira afro em parceria com a maior feira de cultura negra da América Latina, a feira Preta, reuniram em uma semana cinquenta mil pessoas no complexo Cultural da República. Programação 2012. 

2013 – Arte e Cultura Negra – Memória Afro-descendene e Políticas Públicas foi o tema que movimentou debates, palestras, recitais e lançamentos literários e agregou, mais uma vez, cinquenta mil pessoas. A participação internacional se intensificou, com a presença de representantes de Cuba, Colômbia, Nigéria, Zimbabwe, África do Sul, Estados Unidos, Congo, Holanda, Nicaragua e Inglaterra. Programação 2013.

2014 – Sob o tema Griôs da Diáspora Negra, o Festival Latinidades chegou ao auge de público e alcance internacional, com sete dias de atividades e a participação de palestrantes como a ex Pantera Negra Angela Davis, a socióloga norte-americana Patricia Hill Collins e as escritoras Shirley Campbel (Costa Roca) e Paulina Chiziane (Moçambique). Artistas de todas as regiões brasileiras, Estados Unidos, Canadá, Guadalupe, Haiti e Panamá. Programação 2014.

2015 – Cinema Negro foi o tema que reuniu diversas pessoas para debater o protagonismo e a representação das mulheres negras, colocando-as no centro do debate sobre políticas públicas para o audiovisual. O tema reverberou nos meios de comunicação, dando visibilidade para a produção audiovisual das mulheres negras brasileiras e de outros países. Programação 2015. 

2016 – A nona edição se deu a partir do tema Comunicação, pautando o enfrentamento ao racismo nos meios de comunicação. Um olhar sobre o marketing, o jornalismo e as redes sociais. A importância e o fortalecimento das mídias negras, a produção intelectual de negras e negros em torno do tema comunicação e a produção de conteúdos. Programação 2016.